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Michelin mantém margem apesar de queda nas vendas

A Michelin registrou vendas de US$ 14,81 bilhões (€12,687 bilhões) no primeiro semestre de 2026, queda de 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Excluindo os efeitos cambiais e as mudanças no perímetro de consolidação, a receita avançou 0,5%. As conversões utilizam a taxa média divulgada pela própria companhia para o período, de […]

por Mateus Taday em 27/07/2026 - Atualizado em 27/07/2026

A Michelin registrou vendas de US$ 14,81 bilhões (€12,687 bilhões) no primeiro semestre de 2026, queda de 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Excluindo os efeitos cambiais e as mudanças no perímetro de consolidação, a receita avançou 0,5%. As conversões utilizam a taxa média divulgada pela própria companhia para o período, de €1 = US$ 1,167.

O lucro operacional dos segmentos ficou praticamente estável em US$ 1,69 bilhão (€1,446 bilhão), ante US$ 1,69 bilhão (€1,452 bilhão) no primeiro semestre de 2025. Apesar da redução nominal de 0,4%, a margem operacional subiu de 11,1% para 11,4%, favorecida pelo preço, pelo mix de produtos e pela redução dos custos de matérias-primas.

O lucro operacional consolidado caiu 1,4%, para US$ 1,38 bilhão (€1,183 bilhão), enquanto o lucro líquido recuou 8,8%, para US$ 894 milhões (€766 milhões). A margem líquida passou de 6,4% para 6% das vendas.

A divisão de pneus de passeio, motocicletas e distribuição registrou receita de US$ 8,08 bilhões (€6,926 bilhões), queda de 2,6%, mas elevou sua margem operacional de 12,2% para 12,5%. O resultado foi sustentado pelo crescimento dos volumes no mercado de reposição, pelo desempenho dos pneus de duas rodas e pela maior participação de produtos de 18 polegadas ou mais.

Brasil enfrenta queda no equipamento original

O relatório destaca a deterioração do mercado sul-americano de pneus de carga para equipamento original, que recuou 11%, de 1,1 milhão para 1 milhão de unidades. No Brasil, de acordo com a Michelin, os juros elevados reduziram os investimentos das transportadoras na renovação das frotas de caminhões.

A fabricante também afirma que parte dos operadores brasileiros adotou uma postura de espera diante das eleições previstas para o final de 2026. O mercado regional ainda foi pressionado pelo rápido crescimento das importações de caminhões asiáticos, que aumentaram a concorrência enfrentada pelos fabricantes instalados localmente.

O cenário foi diferente na reposição de pneus de carga. A demanda sul-americana cresceu 32%, passando de 8,5 milhões para 11,2 milhões de pneus. Segundo a Michelin, a expansão ocorreu principalmente devido ao crescimento das importações de produtos de baixo custo e, em menor proporção, à transferência de demanda provocada pela queda do equipamento original.

A área de soluções conectadas também registrou crescimento na América do Sul, especialmente no Brasil. O avanço regional, entretanto, não compensou as dificuldades enfrentadas na América do Norte. Na Europa, a Michelin reduziu parte da carteira de contratos do negócio de assistência para melhorar sua rentabilidade.

O negócio de pneus de mineração apresentou crescimento, apoiado pela venda de pneus de grande porte e pelo desenvolvimento de novas oportunidades comerciais na América do Sul. O relatório, porém, não menciona a Argentina nominalmente nem separa o desempenho do país, tratando os demais movimentos apenas de forma regional.

Câmbio reduz receita e resultado reportados

Em bases comparáveis, o lucro operacional dos segmentos aumentou US$ 120 milhões (€103 milhões). A Michelin obteve impactos positivos de US$ 232 milhões (€199 milhões) com matérias-primas e de US$ 91 milhões (€78 milhões) com preço e mix, mas enfrentou custos industriais e logísticos adicionais de US$ 152 milhões (€130 milhões).

O câmbio retirou aproximadamente US$ 470 milhões (€403 milhões) das vendas e US$ 133 milhões (€114 milhões) do lucro operacional dos segmentos. Cerca de 80% do efeito negativo sobre a receita veio da valorização do euro diante do dólar, moeda na qual quase 40% das vendas da companhia são denominadas.

O fluxo de caixa livre antes de aquisições melhorou para US$ 329 milhões (€282 milhões), ante resultado negativo de US$ 119 milhões (€102 milhões) um ano antes. Após desembolsos de US$ 712 milhões (€610 milhões) com aquisições, o fluxo ficou negativo em US$ 383 milhões (€328 milhões). A Michelin manteve suas metas financeiras para 2026 e estima estabilidade nos mercados globais de pneus, apesar das incertezas econômicas, comerciais e geopolíticas.

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