O que é aquaplanagem e como evitá-la?
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder. José Carlos Quadrelli: A aquaplanagem é o fenômeno de perda de controle da direção de um veículo quando este atinge uma poça de água com uma certa velocidade e os pneus perdem o contato com o piso e, por consequência, a tração. Com isso, o motorista vira passageiro […]
por Mateus Taday em 24/06/2026 - Atualizado em 24/06/2026
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder.
José Carlos Quadrelli: A aquaplanagem é o fenômeno de perda de controle da direção de um veículo quando este atinge uma poça de água com uma certa velocidade e os pneus perdem o contato com o piso e, por consequência, a tração. Com isso, o motorista vira passageiro já que não consegue comandar o veículo. Vamos entender por que ela ocorre e como evitá-la.
A aquaplanagem é por vezes chamada de hidroplanagem, que na prática é um termo mais geral que engloba não somente o fenômeno quando ocorre sobre uma camada de água, mas também sobre outros líquidos como combustíveis ou óleos, por exemplo.
Embora seja mais comum em altas velocidades e após chuvas mais intensas, que podem alagar trechos de ruas ou rodovias rapidamente, pode ocorrer em velocidades mais baixas se os pneus estiverem “carecas” ou com sulcos pouco profundos.
A saída dessa situação envolve reduzir a velocidade até voltar a tração e não frear de imediato (mesmo em veículos com freios ABS), especialmente se o veículo está em linha reta. Ao sentir que o veículo recuperou o contato com o piso, deve-se girar a direção levemente de lado a lado até sentir que a aderência foi retomada. Caso o veículo derrape e desenvolva um sobre-esterço (“perda da traseira”) o motorista deve girar o volante na direção da derrapagem até que os pneus traseiros retomem a tração, quando então deve girar o volante no sentido oposto rapidamente.
Existem vários fatores que contribuem para que a aquaplanagem ocorra, sendo alguns sob controle do motorista e outros não:
1. Velocidade: quanto maior a velocidade, maior a chance de ocorrer a aquaplanagem já que a eficiência de drenagem de água pelo pneu fica reduzida nessa condição. Este é um dos principais motivos de se reduzir a velocidade em pisos molhados;
2. Pressão de inflação: embora seja difícil determinar exatamente a velocidade em que um veículo irá aquaplanar, existe uma fórmula empírica desenvolvida pela NASA em 1963 que relaciona a velocidade de início da aquaplanagem com a pressão de inflação em que a velocidade é proporcional à raiz quadrada da pressão de inflação. Por essa fórmula, quanto maior a pressão de inflação, melhor, já que retarda o início da aquaplanagem. Na faixa de pressões comuns em veículos de passeio: 26 a 35 psi, por exemplo, teremos velocidades de início de aquaplanagem variando entre 85 e 99 km/h. É claro que esta fórmula só fornece uma aproximação desses valores já que outros fatores estão em jogo, mas ajuda a explicar por que a aquaplanagem dificilmente ocorre em veículos como bicicletas e motocicletas, caminhões e ônibus, mas pode ocorrer mais facilmente em aeronaves, por exemplo;
3. Profundidade dos sulcos da banda de rodagem do pneu: quanto menor essa profundidade, menor será a eficiência de ejeção de água pelo pneu e mais fácil será a aquaplanagem. Estima-se que pneus com 50% de desgaste poderão aquaplanar a velocidades 5-7 km/h menos do que pneus novos;
4. Largura da banda de rodagem: pneus mais largos tendem a aquaplanar com maior facilidade já que a eficiência de ejeção de água é menor uma vez que a água precisa percorrer um caminho maior até ser expelida pelo desenho;
5. Peso do veículo: quanto maior o peso mais difícil fica para o pneu flutuar sobre a água já que a pressão de contato e a pegada do pneu se tornam maiores aumentando a tração;
6. Profundidade da camada de água: logicamente quanto maior essa profundidade maior será a possibilidade de aquaplanagem pois mais água terá de ser expelida pelo pneu para manter a tração. Essa profundidade, por sua vez, depende da duração e intensidade das chuvas, características do piso (como inclinação e existência de depressões no mesmo, que influem na drenagem);
7. Rugosidade do piso: um piso mais rugoso favorece a tração e é por isso que em alguns países trechos de rodovias são sulcados, já que além de melhorar a tração no molhado melhoram o escoamento de água.
Em resumo, para evitar a aquaplanagem deve-se cuidar sempre da pressão de inflação dos pneus, garantir que não estejam com desgaste excessivo e reduzir a velocidade em pista molhada.

* Nascido em 20/11/57 em São Paulo-SP, formou-se em engenharia mecânica na Poli/USP em 1981 e obteve mestrado na mesma área pelo Universidade de Minnesota, nos EUA, em 1985. Trabalhou inicialmente na área de tubulações industriais pela Promon Engenharia e depois como sócio fundador da Frontenge Engenharia, empresa de consultoria em projeto industrial. Em 1994 foi contratado pela Bridgestone do Brasil onde exerceu os cargos de engenheiro de campo depois gerente e gerente geral de engenharia de vendas até 2020 quando se aposentou e hoje atua como consultor. É autor de 2 livros, um deles sobre pneus. É casado e tem uma filha.
O Pneu de Automóvel: Um Guia Básico
– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –