Universidade espanhola testa pneu com banda removível
Pesquisadores da Universidade Carlos III de Madri (UC3M), na Espanha, desenvolveram um pneu modular cuja banda de rodagem pode ser substituída após o desgaste, sem o descarte da carcaça. O protótipo faz parte do projeto ECOTIRE, que combina novos materiais e sensores para reduzir resíduos e coletar dados sobre as condições de rodagem. A tecnologia […]
por Lara Roibone em 15/10/2026 - Atualizado em 14/10/2026
Pesquisadores da Universidade Carlos III de Madri (UC3M), na Espanha, desenvolveram um pneu modular cuja banda de rodagem pode ser substituída após o desgaste, sem o descarte da carcaça. O protótipo faz parte do projeto ECOTIRE, que combina novos materiais e sensores para reduzir resíduos e coletar dados sobre as condições de rodagem.
A tecnologia utiliza uma banda de silicone fixada mecanicamente à estrutura do pneu, em vez da união química convencional. Segundo a equipe, a parte substituível corresponde a menos de 20% do peso total do produto. Um estudo publicado na revista científica Applied Sciences apontou desgaste cerca de dez vezes menor para o silicone em comparação com a borracha convencional, além de maior estabilidade nas condições analisadas.
O projeto também prevê sensores capazes de medir, em tempo real, pressão de contato, forças transmitidas ao pavimento, ângulo de deriva e aderência disponível. Essas informações poderiam ser enviadas aos Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS, na sigla em inglês) e aos computadores de veículos autônomos para ajudar a identificar riscos como aquaplanagem e formação de gelo.
Os dados também poderiam apoiar o funcionamento do sistema de frenagem antibloqueio (ABS) e do controle eletrônico de estabilidade. “Imaginamos um pneu inteligente e instrumentado que forneça dados essenciais ao veículo e à infraestrutura, adaptando-se às necessidades dos veículos autônomos”, explica Daniel García-Pozuelo, pesquisador do Departamento de Engenharia Mecânica da UC3M.
Em testes de laboratório, o protótipo apresentou comportamento próximo ao dos pneus convencionais, segundo estudo publicado na revista Measurement. As avaliações controlaram fatores como carga vertical, ângulo de deriva, deslizamento e pressão de inflação. O projeto ainda precisa passar por ensaios em escala real antes de uma eventual aplicação comercial. A próxima etapa inclui testes adicionais e a busca de parcerias para transferir a tecnologia à indústria automotiva.
Imagem: Universidade Carlos III de Madri (UC3M).