Veja os resultados da pesquisa 54PSI marcas globais 2026
O 54PSI também avançou em 2025 em um terreno pouco explorado pela mídia especializada: a percepção de marca na indústria global de pneus. Ao longo do mês de dezembro, o site conduziu uma pesquisa aberta com seu público para classificar mais de 60 marcas globais de pneus em quatro níveis – Tier 1, Tier 2, […]
por Mateus Taday em 12/01/2026 - Atualizado em 12/01/2026
O 54PSI também avançou em 2025 em um terreno pouco explorado pela mídia especializada: a percepção de marca na indústria global de pneus. Ao longo do mês de dezembro, o site conduziu uma pesquisa aberta com seu público para classificar mais de 60 marcas globais de pneus em quatro níveis – Tier 1, Tier 2, Tier 3 e Tier 4 – abrangendo fabricantes de pneus de passeio e de carga.
Diferentemente de rankings tradicionais, o levantamento não impôs critérios técnicos, comerciais ou industriais para a classificação. A proposta foi deliberadamente aberta: cada participante pôde usar sua própria referência – experiência profissional, histórico de mercado, posicionamento da marca em sua região ou percepção pessoal de qualidade e desempenho. Quando uma marca não era conhecida, o respondente era orientado a simplesmente pular a questão.
Esse formato permitiu capturar algo raro no setor: um retrato espontâneo do imaginário do mercado, livre de métricas pré-definidas como volume de vendas, capacidade produtiva ou presença OEM. O resultado não deve ser lido como ranking absoluto, mas como um termômetro coletivo de como as marcas são posicionadas mentalmente por profissionais e leitores que acompanham a indústria de perto.
Os dados revelam um consenso claro no topo, com poucas marcas concentrando a maioria das classificações em Tier 1, enquanto o centro da pirâmide se mostra mais amplo e fragmentado, refletindo a alta competitividade entre fabricantes globais e regionais. Na base, aparecem marcas com menor reconhecimento internacional ou atuação mais localizada, o que reforça que o Tier 4 está mais associado a nível de familiaridade do que necessariamente a qualidade técnica do produto.
Ao cruzar essa percepção de marca com o mapeamento de lançamentos globais feito ao longo de 2025, o 54PSI passa a oferecer uma leitura mais completa da indústria: não apenas quem lançou mais produtos ou ampliou portfólio, mas como cada fabricante é percebido pelo mercado enquanto executa essas estratégias. É justamente nesse contraste entre atividade industrial e imagem de marca que surgem alguns dos insights mais relevantes do ano.
Análise dos resultados
Aqui entram marcas em que a diferença entre o tier mais votado e o segundo mais votado é mínima, o que, na prática, indica que o público está dividido sobre o posicionamento.
Fronteira Tier 1 ↔ Tier 2
- Yokohama: empate absoluto entre Tier 1 e Tier 2 (26 vs 26, em 67 respostas). É o exemplo mais “limpo” de marca que o público vê como premium em parte do mundo, mas Tier 2 em outra parte. Ou, a diferença de percepção sobre seus produtos de passeio e de carga.
- Hankook: praticamente um empate (23 em Tier 2 vs 22 em Tier 1, em 68). Ou seja: a marca está um degrau abaixo do topo para uma parcela, mas já é Tier 1 para outra – típico de fabricante em transição de percepção.
- Continental: aparece como Tier 1 predominante, mas com divisão relevante (41 Tier 1 vs 25 Tier 2, em 69). Aqui não é “empate”, mas é um sinal de que a marca é amplamente premium, porém não unânime.
Fronteira Tier 2 ↔ Tier 3
- Nexen: muito perto entre Tier 2 e Tier 3 (22 vs 20, em 66). É a marca com cara de “linha de corte”: respeitada, mas ainda não consolidada como Tier 2 para todo mundo.
- General Tire: também bem apertado (32 Tier 2 vs 29 Tier 3, em 67). É um padrão típico de marca forte em certos mercados/aplicações, mas com percepção “mista” globalmente.
- Cooper: puxou mais para Tier 3, mas com Tier 2 muito próximo (29 Tier 3 vs 27 Tier 2, em 68). Isso sugere que, para parte do público, ela é “quase Tier 2”, mas ainda não passa como consenso.
Fronteira Tier 3 ↔ Tier 4 (polarização forte)
Esse bloco é a “zona cinzenta” onde o público distingue entre marca intermediária e marca vista como mais regional/de entrada, com votação extremamente dividida.
- Westlake (ZC Rubber): 30 Tier 4 vs 27 Tier 3 (63). Muito perto e relevante porque é uma marca com presença global crescente.
- Prinx: 28 Tier 4 vs 25 Tier 3 (58). Outro caso de marca que já aparece com massa crítica suficiente para não ser “Tier 4 automático”.
- Delinte: 25 Tier 4 vs 23 Tier 3 (63). Quase empate.
- Laufenn (Hankook): 25 Tier 3 vs 24 Tier 4 (66). Uma submarca pode “puxar” parte do prestígio do grupo, mas ainda carregar percepção de entry/mid.
- Giti: empate no topo do bloco (21 Tier 3 vs 21 Tier 4, em 64), com Tier 1 e Tier 2 também presentes (11 e 11). É o retrato clássico de marca com reputação muito dependente do país e do canal.
Essas marcas “de fronteira” são ótimas para o artigo porque mostram que o conceito de tier, quando não há regra imposta, vira um termômetro de reputação regional e experiência pessoal, não um selo universal.
Posições inesperadas e o caso Dunlop
A Dunlop (Sumitomo Rubber Industries) foi um dos casos mais emblemáticos porque muita gente esperaria que ela aparecesse mais próxima do topo. Mas a pesquisa puxou a marca com força para Tier 2:
- Dunlop: 48 votos em Tier 2, contra 14 em Tier 1 (70 respostas no total). Ou seja: não é só “ficou no Tier 2 por pouco” – existe uma preferência clara do público por colocá-la abaixo do Tier 1.
O que isso pode estar sinalizando:
- Percepção de posicionamento varia por mercado: em alguns países Dunlop é vista como premium/forte; em outros, é percebida como marca “um degrau abaixo” das líderes globais.
- Efeito “portfólio e canal”: quando o público responde sem regra, ele tende a incorporar lembranças do que vê no varejo, do mix disponível e de como a marca aparece em determinadas aplicações.
- Convivência com o guarda-chuva Sumitomo/Falken: na cabeça do mercado, pode haver uma “distribuição mental” de papéis dentro do grupo (quem é performance, quem é mainstream, quem é value), o que empurra a Dunlop para Tier 2 mesmo quando a história da marca é forte.
Outros “inesperados” (ou, no mínimo, não unânimes):
- Prometeon (carga): aparece como Tier 2 predominante, mas com disputa visível (35 Tier 2 vs 26 Tier 1, em 67). Para um grupo associado a premium em TBR, esse “quase Tier 1” é um insight editorial bom: marca forte, mas não consensual.
- Yokohama (já citado): o empate Tier 1/Tier 2 é, por si só, inesperado para quem imagina que a marca seria “Tier 1 automático”.