Onde a inovação e a tecnologia impulsionam o universo dos pneus.

Destaque

Mais de US$ 8 bilhões em novas fábricas redesenham a indústria global de pneus

Um novo ciclo de investimentos está modificando a distribuição geográfica da produção mundial de pneus. Levantamento do 54PSI identificou mais de 20 projetos de fábricas, unidades adicionais e complexos industriais em desenvolvimento, abrangendo pneus de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus, motocicletas, bicicletas, máquinas agrícolas, equipamentos industriais, construção e mineração. Os projetos com valores financeiros […]

por Mateus Taday em 21/07/2026 - Atualizado em 21/07/2026

Um novo ciclo de investimentos está modificando a distribuição geográfica da produção mundial de pneus. Levantamento do 54PSI identificou mais de 20 projetos de fábricas, unidades adicionais e complexos industriais em desenvolvimento, abrangendo pneus de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus, motocicletas, bicicletas, máquinas agrícolas, equipamentos industriais, construção e mineração.

Os projetos com valores financeiros divulgados representam mais de US$ 8 bilhões em investimentos prometidos. O montante pode superar US$ 10 bilhões quando são consideradas fases futuras, ampliações planejadas e iniciativas que ainda dependem de licenciamento, financiamento ou decisões definitivas de investimento.

A capacidade inicial publicada pelos empreendimentos mais claramente definidos ultrapassa 70 milhões de pneus de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus por ano. Em um cenário máximo, que incorpora os planos de longo prazo da Sailun no Egito, a possível expansão da Prinx Chengshan na Malásia e outros projetos divididos em etapas, o potencial anunciado supera 100 milhões de unidades.

Isso não significa, porém, que toda essa capacidade entrará no mercado simultaneamente. O levantamento mistura fábricas em construção física, projetos em pré-construção, terrenos em preparação, joint ventures recentemente constituídas, memorandos de entendimento e iniciativas ainda sujeitas a decisões empresariais.

A capacidade de pneus OTR e de mineração também deve ser analisada separadamente. Nesse segmento, a produção costuma ser divulgada em toneladas, já que um único pneu gigante para mineração pode pesar várias toneladas. Somar esses volumes diretamente aos pneus automotivos produziria uma comparação distorcida.

Mais de 20 projetos mudam o mapa industrial

Fabricante ou projetoLocalizaçãoSegmentosCapacidade inicial e potencialInvestimento prometido (US$)Situação em julho de 2026
Triangle TireSvay Rieng, CambojaPCR, PLT e TBR6 milhões de PCR/PLT e 1 milhão de TBR462 milhõesConstrução programada para 2026
Prinx ChengshanKedah, MalásiaPCR, SUV, LT e TBR6 milhões de PLT e 600 mil TBR na primeira fase; potencial de 15 milhões de PLT e 1,5 milhão de TBRCerca de 380 milhõesConstrução iniciada em novembro de 2025
Sailun, primeira faseAin Sokhna, EgitoPCR e TBR3 milhões de PCR e 600 mil TBR291 milhõesEm construção
Sailun, segunda faseAin Sokhna, EgitoPCR e TBRMais 6 milhões de PCR e 1,05 milhão de TBR285,43 milhõesAprovada durante a construção da primeira fase
Sailun, plano ampliadoAin Sokhna, EgitoPCR, TBR e OTRDezenas de milhões de pneus e capacidade OTR em cenário de longo prazoAproximadamente 1,14 bilhãoPlano ampliado, ainda não totalmente em construção
Aeolus TyreAlexandria, EgitoTBR, OTR e agrícola1,5 milhão de TBR, 30 mil OTR e 30 mil agrícolasCerca de 370 milhõesProjeto sujeito a aprovações na China e no Egito
Rolling PlusAin Sokhna, EgitoPCR, comerciais leves e caminhões pesados2,5 milhões na primeira fase; potencial entre 7 milhões e 8 milhõesAproximadamente 1 bilhãoProjeto reestruturado, com avanço físico pouco transparente
Yokohama RubberSaltillo, MéxicoPCR e PLT5 milhões de pneus; terreno preparado para expansão380 milhõesEm construção; produção prevista para 2027
Yokohama Rubber OTROdisha, ÍndiaOTR e mineração9.150 toneladas por ano130 milhõesConstrução prevista para o terceiro trimestre de 2026
Yokohama Rubber OTRSaltillo, MéxicoOTR, mineração, construção e agrícola10.650 toneladas por ano115 milhõesProdução prevista para 2028
Pirelli/PIFArábia SauditaPneus premium de passeio3,5 milhões de pneus550 milhõesImplantação; cronograma original foi revisto
Black Arrow TireYanbu, Arábia SauditaPCR e TBR4 milhões inicialmente; potencial de até 6 milhõesAproximadamente 470 milhõesEngenharia e estruturação
Wanli Tire/BerjayaHulu Selangor, MalásiaPCR e TBR5 milhões de PCR e 1,2 milhão de TBR320 milhõesJoint venture constituída em julho de 2026
Kumho TireOpole, PolôniaPCR e comerciais leves6 milhões de pneus587 milhõesPré-construção; produção prevista para 2028
ZC RubberCidade de Ho Chi Minh, VietnãPCR5 milhões de pneusAproximadamente 130 milhões a 150 milhõesConstrução programada para julho de 2026
Sunset Tires/XBRIPonta Grossa, BrasilPCR, PLT, TBR, agrícola e especialidades12,5 milhões de PCR/PLT, 2,5 milhões de TBR e 600 mil agrícolas no plano originalCerca de 1,19 bilhão no plano ligado à LinglongSunset afirma que projeto continua, mas orçamento e cronograma não foram atualizados
Etor PneusManaus, BrasilMotocicletas, scooters, bicicletas e câmaras de arNão divulgadaAproximadamente 50 milhõesInstalação industrial e preparação da produção
RubberonIranduba, BrasilPneus especiais com borracha naturalNão divulgadaAproximadamente 1 milhão a 2 milhõesSituação atual ainda precisa ser confirmada
MRFSivaganga, ÍndiaSegmentos automotivos ainda não detalhadosNão divulgadaAproximadamente 610 milhõesMemorando de entendimento assinado; depende de licenças e incentivos
Possível projeto da Apollo TyresTamil Nadu, ÍndiaAinda não definidoNão divulgadaAproximadamente 350 milhõesAvaliação preliminar, sem decisão final confirmada
Prinx Chengshan OTRRongcheng, ChinaOTR e mineração840 mil pneus OTR e 10 mil MTRC por anoCerca de 160 milhõesProjeto dividido em fases, com capacidade plena prevista para 2029
Outros projetos registradosCambojaPrincipalmente PCRAlguns registros citam até 4,5 milhões de pneusNão divulgadoEmpreendimentos que ainda exigem confirmação individual

PCR refere-se a pneus radiais de passeio. PLT reúne pneus de passeio e comerciais leves. TBR corresponde a pneus radiais para caminhões e ônibus. OTR abrange produtos destinados à construção, movimentação de terra e mineração.

Todos os investimentos estão expressos em dólares dos Estados Unidos. Quando os valores originais foram anunciados em outras moedas, as cifras em US$ representam conversões aproximadas calculadas com base nas cotações utilizadas na época da divulgação.

As capacidades expressas em toneladas não devem ser somadas diretamente às capacidades em unidades. Pneus OTR, especialmente os destinados a grandes equipamentos de mineração, possuem peso e características muito diferentes dos pneus automotivos.

Os números associados à Sunset/XBRI também exigem uma ressalva. O anúncio original da possível parceria com a Linglong previa investimento de US$ 1,19 bilhão, capacidade de aproximadamente 14,7 milhões de pneus e participação de 70% da fabricante chinesa.

A joint venture, entretanto, não chegou a ser formalmente constituída, e a Sunset informou posteriormente que a Linglong não realizou aportes. Os valores continuam úteis como referência histórica do projeto, mas não representam financiamento atualmente assegurado. Em maio de 2026, as duas empresas apresentaram versões divergentes sobre a evolução do empreendimento.

Sudeste Asiático atrai fabricantes chineses

Camboja, Malásia e Vietnã formam o principal corredor de expansão internacional das fabricantes chinesas. Triangle Tire, Prinx Chengshan, Wanli e ZC Rubber estão desenvolvendo unidades fora da China para aproximar a produção dos clientes, facilitar o acesso à borracha natural e diversificar riscos logísticos e comerciais.

A Triangle planeja investir US$ 462 milhões em sua primeira grande base industrial no exterior. A unidade no Camboja foi dimensionada para produzir 6 milhões de pneus de passeio e comerciais leves e 1 milhão de pneus para veículos comerciais por ano.

Na Malásia, a Prinx Chengshan iniciou a construção de sua fábrica em Kedah Rubber City. A primeira etapa prevê capacidade anual de 6 milhões de pneus PLT e 600 mil TBR, com investimento estimado em US$ 380 milhões. O terreno e o planejamento industrial permitem uma expansão para até 15 milhões de PLT e 1,5 milhão de TBR, mas esse limite não deve ser tratado como capacidade já contratada.

Também na Malásia, a Wanli constituiu uma joint venture com a Berjaya Property para implantar uma unidade de 6,2 milhões de pneus por ano. O projeto marca a continuidade da internacionalização da companhia após a inauguração de sua primeira fábrica fora da China, no Camboja, em janeiro de 2026.

A ZC Rubber pretende instalar no Vietnã uma primeira fase com capacidade para 5 milhões de pneus de passeio por ano. A construção foi programada para começar em julho de 2026, com prazo estimado de 12 meses.

Egito pode se tornar plataforma de exportação

O Egito concentra alguns dos maiores projetos individuais identificados pelo levantamento. Sailun, Rolling Plus e Aeolus apresentaram iniciativas que, somadas, representam investimentos potenciais superiores a US$ 2 bilhões.

A primeira etapa da Sailun prevê US$ 291 milhões para produzir 3 milhões de pneus de passeio e 600 mil pneus de carga por ano. Antes mesmo de concluir essa unidade, a empresa aprovou uma segunda fase de US$ 285,43 milhões para acrescentar 6 milhões de pneus de passeio e 1,05 milhão de pneus de carga.

Divulgações posteriores mencionaram um complexo ainda maior, com dezenas de milhões de pneus radiais semiaço e totalmente em aço, além de produtos OTR. Esses números representam uma visão de longo prazo e não podem ser contabilizados como se todas as linhas estivessem atualmente em construção.

A Aeolus planeja uma unidade em Alexandria com capacidade para 1,5 milhão de pneus para caminhões e ônibus, 30 mil pneus OTR e 30 mil pneus agrícolas por ano. O projeto deverá utilizar parte da área e da infraestrutura da Prometeon Tyre Egypt, além de um terreno adjacente.

A Rolling Plus também anunciou um complexo em Ain Sokhna, com investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão e potencial entre 7 milhões e 8 milhões de pneus. O empreendimento passou por reestruturações societárias e apresenta menos informações públicas sobre o avanço físico das obras do que o projeto da Sailun.

Arábia Saudita busca substituir importações

A joint venture formada pelo Public Investment Fund e pela Pirelli pretende instalar capacidade anual para 3,5 milhões de pneus de passeio, apoiada por investimento de US$ 550 milhões. O fundo saudita terá 75% do empreendimento, enquanto a Pirelli ficará com 25% e atuará como parceira tecnológica.

O cronograma inicial previa o começo da produção em 2026, mas informações posteriores transferiram a expectativa para 2027. Parte dos pneus será comercializada com a marca Pirelli, enquanto o restante deverá utilizar uma nova marca regional.

A Black Arrow Tire propôs outro projeto em Yanbu, com investimento estimado em US$ 470 milhões. A capacidade inicial seria de 4 milhões de pneus de passeio, podendo alcançar 6 milhões com a inclusão de produtos comerciais. A iniciativa permanece em uma etapa menos avançada e com documentação pública mais limitada.

Índia reúne projetos confirmados e preliminares

A Índia aparece no levantamento com projetos de perfis bastante diferentes. A Yokohama anunciou uma fábrica OTR em Gopalpur, no estado de Odisha, com investimento de US$ 130 milhões e capacidade anual de 9.150 toneladas. A construção deve começar no terceiro trimestre de 2026, com produção prevista para o terceiro trimestre de 2028.

A MRF assinou um memorando de entendimento para investir aproximadamente US$ 610 milhões em Sivaganga, no estado de Tamil Nadu. Os segmentos, a capacidade e o cronograma detalhado ainda não foram divulgados, enquanto o avanço depende de licenças, incentivos e outras etapas administrativas.

A Apollo Tyres também foi associada a um possível investimento de cerca de US$ 350 milhões em Tamil Nadu. Nesse caso, porém, as informações disponíveis apontam uma avaliação preliminar, sem confirmação de uma decisão final.

A presença de projetos em diferentes níveis de maturidade exige cautela. Uma fábrica com terreno adquirido e obras contratadas não pode receber o mesmo peso de um memorando de entendimento ou de uma análise inicial de investimento.

México recebe pneus de passeio e OTR

A Yokohama está construindo em Saltillo uma fábrica com capacidade anual de 5 milhões de pneus de passeio e investimento de US$ 380 milhões. O início da produção está previsto para o primeiro trimestre de 2027, e a área foi preparada para permitir ampliações futuras.

A fabricante também anunciou uma segunda unidade no mesmo complexo, destinada a pneus OTR, de mineração, construção e agrícolas. O investimento será de US$ 115 milhões, com capacidade de 10.650 toneladas por ano e início da produção programado para o segundo trimestre de 2028.

Somada à fábrica de Odisha, a expansão OTR da Yokohama representa US$ 245 milhões em investimentos e 19.800 toneladas anuais de capacidade. Os dois projetos fazem parte da reorganização da companhia após a compra dos negócios de pneus OTR da Goodyear.

Kumho prepara sua primeira fábrica europeia

A Kumho confirmou Opole, na Polônia, como local de sua primeira fábrica de pneus na Europa. A unidade terá capacidade para 6 milhões de pneus de passeio e comerciais leves por ano, com investimento estimado em US$ 587 milhões.

A produção está programada para começar em agosto de 2028. Antes disso, o empreendimento ainda precisa avançar por etapas de engenharia, licenciamento, contratação de fornecedores e construção.

A escolha da Polônia permite à fabricante sul-coreana reduzir a dependência de produtos enviados da Ásia, diminuir os prazos de entrega e ampliar a proximidade com montadoras e distribuidores europeus.

Brasil combina projetos de escalas diferentes

No Brasil, os projetos identificados possuem dimensões e níveis de maturidade muito distintos.

A Etor Pneus está implantando em Manaus uma unidade voltada a pneus para motocicletas, scooters e bicicletas, além de câmaras de ar. O projeto atualizado aprovado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus representa aproximadamente R$ 283,1 milhões, equivalentes a cerca de US$ 50 milhões. A capacidade anual não foi divulgada.

Comércio e Indústria de Pneus Amazônia, Amazônia Pneus, o projeto de pneus do Grupo Cairu e a Etor não devem ser contabilizados como quatro fábricas independentes. A documentação disponível indica que esses nomes estão ligados ao mesmo empreendimento industrial.

A Rubberon, em Iranduba, é um projeto separado e de menor porte, voltado a pneus especiais produzidos com borracha natural da Amazônia. As informações públicas mais detalhadas são anteriores a 2026, o que impede classificá-lo com segurança como uma fábrica atualmente em construção.

Em Ponta Grossa, a Sunset afirma que pretende prosseguir com o projeto industrial da XBRI depois do encerramento das negociações com a Linglong. A empresa, entretanto, ainda não apresentou publicamente uma nova estrutura de capital, outro parceiro industrial, orçamento revisado ou cronograma definitivo.

Tarifas aceleram a regionalização da produção

As barreiras comerciais ajudam a explicar por que os novos investimentos estão se espalhando por tantos países.

Em julho de 2026, a União Europeia impôs direitos antidumping definitivos entre 4,3% e 45,3% sobre pneus de passeio e comerciais leves originários da China. A Comissão Europeia concluiu que os produtos entravam no mercado a preços de dumping e causavam prejuízos à indústria regional.

Os Estados Unidos também mantêm uma combinação de direitos antidumping, medidas compensatórias e tarifas aplicadas a pneus de diferentes origens. Em 2025, o país colocou em vigor uma tarifa de 25% sobre determinados pneus e autopeças com base na Seção 232.

O Brasil aplica tarifas de importação e medidas antidumping a categorias e origens específicas. No segmento agrícola, um pedido envolvendo pneus importados da Índia provocou preocupação entre distribuidores e importadores.

Essas medidas podem proteger a produção local e combater práticas comerciais consideradas desleais, mas também podem elevar custos para distribuidores, transportadores, produtores rurais e consumidores.

Outro efeito possível é o desvio de comércio. Quando um mercado se torna menos acessível, fabricantes podem redirecionar exportações a outros países ou instalar produção em origens não abrangidas pela medida inicial. O 54PSI analisou esse risco ao mostrar como as barreiras europeias podem aumentar a oferta de pneus na América Latina.

Fábricas na Malásia, Camboja, Vietnã, México e Egito reduzem a dependência de exportações diretas da China. Produzir em outro país, entretanto, não garante acesso permanente sem tarifas. Autoridades podem investigar subsídios, conteúdo local, triangulação, evasão de medidas ou mudanças abruptas nos fluxos comerciais.

Fabricantes chineses constroem enquanto tradicionais consolidam

Uma das diferenças mais claras do atual ciclo industrial está no perfil das empresas que anunciam novas fábricas.

Fabricantes chineses como Sailun, Triangle, Prinx Chengshan, Wanli e ZC Rubber estão utilizando novas unidades internacionais para aumentar escala, acessar matérias-primas, diversificar origens e se aproximar dos mercados consumidores.

Parte das fabricantes tradicionais segue uma direção diferente. Em vez de multiplicar novas plantas, grupos como Michelin, Bridgestone e Apollo estão modernizando unidades, concentrando produção e retirando capacidade considerada pouco eficiente.

A Michelin, por exemplo, anunciou que encerrará gradualmente a fábrica da BFGoodrich em Tuscaloosa, nos Estados Unidos, transferindo quase toda a produção para Fort Wayne. A Bridgestone encerrou a fabricação de pneus em Taiwan, enquanto a Apollo fechou sua unidade de Enschede, na Holanda, depois de já ter retirado da Hungria a produção de pneus para caminhões e ônibus.

O contraste não significa que os grupos tradicionais deixaram de investir. Seus recursos, porém, estão mais concentrados em automação, eficiência, produtos de maior valor agregado e reorganização de redes industriais existentes, enquanto os fabricantes chineses seguem adicionando capacidade em novas regiões.

Potencial confirmado supera 70 milhões de pneus

Considerando apenas projetos com capacidade publicada e grau razoável de avanço, mas excluindo os cenários máximos de longo prazo, o potencial identificado pelo levantamento supera:

  • 58 milhões a 65 milhões de pneus de passeio, SUVs e comerciais leves por ano;
  • 8 milhões a 10 milhões de pneus para caminhões e ônibus;
  • 19.800 toneladas de capacidade OTR nas duas novas unidades da Yokohama;
  • 30 mil pneus OTR e 30 mil agrícolas previstos pela Aeolus;
  • produção adicional de pneus para motocicletas, bicicletas e especialidades cuja capacidade não foi divulgada;
  • mais de US$ 6 bilhões em projetos com escopo industrial relativamente definido.

Quando são incluídos projetos em reestruturação, como Sunset e Rolling Plus, além dos limites máximos previstos pela Sailun e pela Prinx Chengshan, o potencial ultrapassa 100 milhões de pneus e se aproxima ou supera US$ 10 bilhões.

A capacidade que efetivamente chegará ao mercado dependerá da execução das obras, disponibilidade de financiamento, licenças, política comercial e demanda nas regiões que cada fábrica pretende atender.

Mais do que uma corrida por volume, o ciclo atual aponta para a formação de novas redes regionais de fabricação. A indústria continua dependente da Ásia, mas sua expansão está se distribuindo pelo Sudeste Asiático, África, Oriente Médio, Europa, Índia e Américas.

A mudança central não está apenas em produzir mais pneus. Está em decidir onde produzi-los para reduzir riscos comerciais, encurtar cadeias logísticas e atender mercados cada vez mais protegidos por tarifas e exigências de origem.